Trump autoriza operações secretas da CIA e missões letais na Venezuela
Presidente dos EUA confirma autorização para operações encobertas contra governo Maduro. Cerca de 10 mil tropas americanas estão posicionadas no Caribe
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quarta-feira (15) que autorizou ações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA) na Venezuela, incluindo a possibilidade de "operações letais". A informação havia sido revelada pelo jornal The New York Times e, posteriormente, validada pelo governo norte-americano.
De acordo com autoridades americanas, o objetivo final das medidas é pressionar o governo de Nicolás Maduro e, eventualmente, retirá-lo do poder. A autorização representa uma escalada significativa na campanha dos Estados Unidos contra o líder venezuelano.
A autorização, conhecida como "descoberta presidencial" (presidential finding), permite à CIA realizar operações letais na Venezuela e uma série de ações no Caribe. A agência pode agir tanto unilateralmente quanto em conjunto com uma operação militar de maior escala.
A medida ocorre em meio a um forte aumento da presença militar dos EUA na região. Atualmente, cerca de 10 mil tropas americanas estão estacionadas no Caribe, a maior parte em Porto Rico, além de navios de guerra e um submarino nuclear posicionados próximos à costa venezuelana.
Presença Militar dos EUA no Caribe
Tropas mobilizadas
Mortes em ataques
Embarcações atacadas
Funcionários informaram ao jornal que o Exército dos EUA elaborou planos para possíveis ataques dentro da Venezuela. A preparação militar indica que as operações podem ir além de ações de inteligência isoladas.
A estratégia contra a Venezuela foi desenvolvida pelo secretário de Estado Marco Rubio, com a ajuda do diretor da CIA, John Ratcliffe. O plano tem como objetivo explícito expulsar Maduro do poder, segundo fontes do governo americano.
O governo Trump classificou o líder venezuelano como "narcoterrorista" e oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua prisão. Washington acusa Maduro de chefiar o chamado Cartel de los Soles, classificado como organização narcoterrorista.
No entanto, avaliações de inteligência dos próprios EUA questionam o envolvimento direto de Maduro nas redes de narcotráfico, segundo apurou o The New York Times. A contradição levanta dúvidas sobre as motivações reais da operação.
Nos últimos meses, os militares dos EUA têm atacado embarcações na costa venezuelana acusadas de transportar drogas. Desde setembro, pelo menos cinco embarcações foram afundadas, resultando na morte de 27 pessoas.
EUA anunciam envio de navios, aeronaves militares e submarino nuclear para o Caribe, próximo à costa venezuelana.
Início dos ataques militares a embarcações. Pelo menos cinco barcos foram afundados desde então.
Trump ordena o fim das negociações diplomáticas com governo Maduro, frustrado com recusa em renunciar.
Último ataque registrado: barco bombardeado em águas internacionais. Trump confirma seis mortes.
Trump confirma autorização para operações secretas e letais da CIA na Venezuela.
O último ataque foi autorizado na terça-feira (14), quando militares bombardearam um barco em águas internacionais perto da costa da Venezuela. "O ataque foi realizado em águas internacionais e seis narcoterroristas do sexo masculino a bordo da embarcação foram mortos no ataque", disse Trump em publicação na Truth Social.
O governo da Venezuela nega ligação das vítimas com o tráfico e alega que se tratavam de pescadores locais, pedindo investigação internacional. A China condenou, nesta quarta-feira, a ação militar dos Estados Unidos contra embarcações venezuelanas no Caribe.
Organizações de direitos humanos também expressaram preocupação com os ataques em águas internacionais, questionando a legalidade das operações militares sem mandato internacional.
Especialistas lembram que operações secretas da CIA são comuns na América Latina desde o século XX. A agência de inteligência americana tem histórico de envolvimento em golpes militares na região, incluindo episódios no Brasil (1964) e no Chile (1973).
A autorização presidencial para ações encobertas, documento altamente confidencial, concede amplos poderes à CIA para operações que podem incluir sabotagem, apoio a grupos de oposição e, em casos extremos, ações letais contra alvos específicos.
Geralmente, integrantes do Congresso são informados sobre essas operações, mas estão proibidos de divulgar detalhes. A confirmação pública de Trump sobre as operações é considerada incomum por analistas de segurança.
Em resposta às operações americanas, a Venezuela informou nesta quarta-feira sobre uma nova mobilização militar em duas regiões costeiras do norte, próximas ao principal aeroporto do país.
O país também se prepara para decretar um possível estado de emergência externa, uma medida que concede a Maduro poderes especiais e inclui a "restrição temporária" de direitos constitucionais.
A confirmação das operações da CIA gerou reações diversas na comunidade internacional. A China condenou publicamente as ações militares americanas, enquanto países da América Latina demonstram preocupação com a escalada das tensões na região.
Alguns analistas alertam que a situação pode desestabilizar toda a região caribenha e criar um precedente perigoso para intervenções militares unilaterais.
As relações entre Estados Unidos e Venezuela se deterioraram significativamente desde que Trump assumiu seu segundo mandato. O governo americano não reconhece a última eleição venezuelana e mantém sanções econômicas contra o país sul-americano.
Trump ordenou o fim das negociações diplomáticas com o governo Maduro neste mês, frustrado com a recusa do líder venezuelano em renunciar voluntariamente ao poder e com sua insistência de que não há envolvimento em tráfico de drogas.
Ainda não está claro se missões já foram lançadas sob essa diretriz ou se ela foi emitida apenas como uma medida de contingência. A Casa Branca e a CIA não comentaram oficialmente sobre detalhes operacionais.
O que se sabe é que a autorização permite à CIA ampla margem de ação, podendo executar operações de forma independente ou coordenada com as forças armadas americanas já posicionadas na região.
"Acho que a Venezuela está a sentir a pressão", disse Trump, mas recusou-se a responder se a CIA tem autoridade para executar Maduro diretamente.
A situação permanece em desenvolvimento, com observadores internacionais atentos aos próximos movimentos tanto dos Estados Unidos quanto da Venezuela. A escalada militar representa um dos momentos mais tensos nas relações entre os dois países nas últimas décadas.